Caminhão abastecendo reservatório de ARLA 32 em posto rodoviário

Rodar pelas estradas do Brasil ficou mais desafiador depois que o controle de emissões passou a ser exigido para veículos pesados a diesel. ARLA 32 é parte desse cotidiano. Confesso: no início, até achei que fosse só mais um líquido no caminhão, tipo óleo ou fluido. Mas basta um problema para entender de verdade o peso do assunto, principalmente para quem, como eu, acompanha as mudanças do setor pela Voz da BR ou vive diariamente o universo do transporte.

Por que ARLA 32 faz parte da rotina do transporte rodoviário?

Quem dirige ou é responsável por uma frota já percebeu que o chamado “ar da estrada” mudou bastante na última década. Desde 2012, ficou obrigatório, segundo o Ibama, que caminhões e ônibus saiam de fábrica com o sistema SCR.

ARLA 32 virou lei, e, se não estiver no tanque certo, a multa pode vir rápida e pesada.

Isso aconteceu porque o Brasil assumiu regras mais rígidas para controle do ar com o Proconve (Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores). A redução dos óxidos de nitrogênio (NOx), que poluem o ar e prejudicam a saúde, virou prioridade. O agente redutor tornou-se obrigatório para atender essa demanda, com impacto direto para motoristas, empresas e para o bolso: não cumprir o padrão traz risco de autuação e parada do veículo.

O que é ARLA 32 e como age no SCR?

Parece solução simples, mas nada é à toa. ARLA 32 é uma mistura de ureia de alta pureza (32,5%) e água desmineralizada. Ele é transparente, levemente alcalino e não apresenta cheiro forte. Sua função acontece no Sistema de Redução Catalítica Seletiva, ou SCR. Ali, ele é injetado nos gases do escapamento, onde reage com o NOx formado na combustão.

O resultado? Segundo o inventário do Ministério dos Transportes, as emissões de NOx em veículos pesados caíram de cerca de 1,3 milhão de toneladas nos anos 1990 para 0,6 milhão em 2024. Boa parte desse mérito vem do uso correto do agente redutor.

Sistema SCR em caminhão rodoviário visto em detalhe

É fácil pensar que adicionar ARLA 32 serve só para não parar na fiscalização, mas tem mais coisa aí. Ao converter NOx em nitrogênio e vapor d'água, o SCR reduz o impacto ambiental e preserva a credibilidade do setor rodoviário.

Como identificar ARLA 32 de alta pureza e fugir da fraude?

Se tem algo que aprendi rodando e conversando com quem entende do trecho, é que não dá pra confiar em qualquer produto vendido na beira da estrada. O risco da falsificação é real e já trouxe prejuízo milionário, como mostrou uma operação conjunta no Mato Grosso do Sul, com apreensão de quase 50 mil litros de solução irregular e 67 toneladas de ureia agrícola.

Eu mesmo já vi ARLA 32 vendido sem rótulo, em tambores suspeitos, ou até com cor e cheiro alterado. Isso nunca é sinal de coisa boa. Ficar atento faz toda a diferença:

  • Embalagem original: Deve ter nome do fabricante, número de lote, validade e selo Inmetro.
  • Selo identificador: Produtos aprovados trazem selo de conformidade. Sem isso, fuja.
  • Transparência do líquido: O verdadeiro é transparente, levemente azulado e sem partículas.
  • Cheiro: Não deve cheirar forte nem de amônia.
  • Compra em distribuidor confiável: Sempre escolha pontos oficiais ou estabelecimentos conhecidos no ramo.

Além disso, a ureia usada é de grau automotivo, muito diferente da ureia agrícola (essa sim, perigosa para o catalisador). E não é só questão mecânica. Uma ação recente da PRF em Manaus encontrou minerais e resíduos em versões adulteradas, colocando motoristas e transportadoras em situação ilegal.

Falsificação dá multa, estraga o caminhão e anula qualquer economia.

Consequências do uso inadequado: prejuízo para o veículo e para o meio ambiente

Eu já acompanhei casos de caminhão parando no bloco químico, só porque o ARLA 32 usado estava adulterado. O barato saiu bem caro. Quando a solução está fora dos padrões, pode acontecer:

  • Danos ao catalisador: A presença de minerais e contaminantes entope e queima as células do sistema SCR.
  • Falha geral do motor: O caminhão pode entrar em modo de emergência, limitando potência e velocidade.
  • Multas administrativas: O veículo irregular pode ser retido e multado em blitz ambiental (em Pernambuco, segundo o Ibama, 45 infrações foram registradas em só um mês).
  • Impacto ambiental: O propósito do agente redutor é evitar a emissão de poluentes perigosos. Sem ele, a saúde de todos fica em risco.
Full shot man walking by trucks fleet

Não vale a pena correr riscos. Com tudo checado, não há surpresa desagradável, nem risco de ficar sem trabalhar por uma bobagem que poderia ser evitada, como já mostro em outros guias da categoria de segurança.

Cuidados com armazenamento e validade

ARLA 32 é sensível a calor, luz solar e contaminações. Eu recomendo sempre:

  • Guardar o produto em local seco, arejado e ao abrigo do sol.
  • Evitar recipientes metálicos ou reutilizados.
  • Respeitar a validade impressa, que costuma ser de 12 meses após fabricação.
  • Nunca transferir para outro recipiente, pois pode contaminar a solução.

Se o produto vencer ou ficar exposto ao calor intenso, perde a capacidade de neutralizar o NOx. Usar ARLA 32 vencido é jogar dinheiro fora e causar prejuízo ao sistema do caminhão.

Pouca gente lembra, mas válvula entupida ou recipiente contaminado podem destruir toda a eficiência do SCR. Por isso, é bom consultar a lista de itens a revisar, algo parecido com o que mostro em outro artigo da Voz da BR sobre documentação do caminhão.

Como usar corretamente: atenção no abastecimento e fiscalização

Abastecer ARLA 32 é prático, mas exige cuidado. Não dá para misturar com nada e o bico de abastecimento é diferente do diesel, justamente para evitar erro. O recomendado é:

  • Completar o reservatório ao abastecer combustível, evitando que o caminhão acuse falta do produto durante viagem.
  • Jamais diluir ou tentar substituir por água ou outro fluido.
  • Evitar ao máximo deixar o reservatório esvaziar, o sistema pode bloquear o motor.

As autoridades intensificaram a fiscalização nos últimos anos. A PRF tem flagrado alternativas adulteradas, e as multas, segundo o Ibama, já somaram mais de 7 milhões de reais em operações recentes.

Manter-se informado é o melhor caminho para evitar transtornos no trecho. Em temas como tacógrafo ou postos de combustível seguros, a Voz da BR oferece mais dicas para viajar tranquilo e dentro da lei.

Como escolher fornecedores e controlar na gestão de frota?

Para quem gerencia frota, o cuidado deve ser redobrado. Além de escolher fornecedores confiáveis, é bom manter histórico de compra, comprovar procedência e criar rotina de inspeção do SCR.

Uma boa dica é registrar o consumo médio do ARLA 32 por veículo. Varia conforme o modelo, tipo de trajeto e peso do caminhão, mas o excesso ou economia fora do padrão pode indicar adulteração ou vazamento no sistema.

Mais práticas sobre o controle você encontra na categoria de gestão de frota, com orientações para evitar problemas que param o serviço e comprometem a saúde do motor.

Conclusão: ARLA 32 e a estrada mais limpa

Dirigir caminhão, seja sozinho ou como gestor, é assumir responsabilidade não só com o próprio negócio, mas com todo o país. Usar ARLA 32 legal e puro é escolha que vai além da lei: protege motor, meio ambiente e a saúde de quem vive na estrada.

Se você quer se aprofundar no universo do transporte rodoviário e saber como evitar dores de cabeça, seja com legislação, manutenção ou economia, acompanhe os próximos conteúdos da Voz da BR. Informação de quem entende a rotina da BR faz toda diferença no trecho.

Perguntas frequentes sobre ARLA 32

O que é o ARLA 32?

ARLA 32 é uma solução composta por ureia automotiva de alta pureza (32,5%) e água desmineralizada, utilizada para reduzir emissões de poluentes em veículos a diesel equipados com o sistema SCR. Sua principal função é transformar óxidos de nitrogênio, substâncias nocivas, em componentes inofensivos como vapor d'água e nitrogênio.

Para que serve o ARLA 32 nos caminhões?

No caminhão com SCR, o ARLA 32 é injetado nos gases do escapamento para reagir com o NOx e reduzir sua emissão. Assim, o veículo atende a legislação ambiental, evita multas e preserva a saúde pública, contribuindo para a sustentabilidade do transporte rodoviário.

Como usar o ARLA 32 corretamente?

O correto é sempre abastecer no reservatório dedicado, nunca misturar com outros fluidos, garantir que seja de fonte confiável e observar validade e condições de armazenamento. Recomendo completar junto com o abastecimento do combustível e nunca deixar o sistema rodar vazio.

Onde comprar ARLA 32 de qualidade?

Compre apenas em distribuidores autorizados, postos reconhecidos ou fornecedores com selo do Inmetro e informações claras sobre procedência. Evite embalagens suspeitas ou sem rotulagem, pois o uso de produto adulterado pode danificar o sistema SCR e causar multas.

Qual o preço médio do ARLA 32?

O valor do litro do ARLA 32 pode variar conforme a região, marca e embalagem, mas normalmente gira entre R$ 2,00 e R$ 4,00 por litro em compra avulsa. Em grandes volumes ou contratos para frotas, o preço pode ser menor. Atenção a valores muito baixos, pois muitas vezes indicam produto de baixa qualidade ou adulterado.

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Arthur

Sobre o Autor

Arthur

Arthur é especialista em comunicação voltada para o setor de transporte rodoviário e apaixonado pelo universo das estradas. Com vasta experiência em redação e criação de conteúdos úteis para caminhoneiros, frotistas e profissionais do setor, dedica-se a tornar as informações mais acessíveis e relevantes para quem vive o cotidiano das rodovias. Arthur acredita no poder da informação prática para melhorar a rotina e a tomada de decisão do público.

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